Empresas norte-americanas que fazem negócios no Brasil: o que você deveria saber

Há apenas 25 anos, 66% da população rural do Brasil e 38% de seus moradores urbanos viviam abaixo da linha da pobreza. Atualmente, o país continua sendo uma proposta de investimento incrivelmente atraente para empresas em todo o mundo.

 Parece haver um otimismo em relação ao Brasil que persiste, apesar dos escândalos de corrupção e das incertezas econômicas - e embora o país seja um dos lugares mais difíceis e desafiadores para se fazer negócios no mundo.

Para as empresas norte-americanas que desejam investir na América Latina, o Brasil continua sendo a primeira opção. As duas maiores economias das Américas colaboram no mundo dos negócios há mais de um século - de fato, a Câmara Americana de Comércio no Rio de Janeiro é a mais antiga da América Latina - e o comércio em ambas as direções é substancial e diversificado. Os EUA continuam entre as principais fontes de investimento direto no Brasil. O Banco Central do Brasil indicou que os Estados Unidos detinham o maior volume de IED no país em 2014 (US$ 112 bilhões), o último ano com dados disponíveis.

Para as multinacionais norte-americanas, o Brasil é visto como um mercado “obrigatório”, impulsionado pelos seus mais de 200 milhões de habitantes que representam quase 3% dos consumidores globais. Os EUA foram o segundo maior exportador de produtos para o Brasil em 2016, representando 16% do total de produtos importados, atrás da China, e seguidos pela Alemanha, Argentina e Coreia do Sul. O Brasil também é um grande mercado para os serviços dos EUA, representando quase US$ 25 bilhões em exportações em 2016.

Fazendo fronteira com outros 10 países, o Brasil pode fornecer às empresas norte-americanas um bom ponto de entrada para o resto da América do Sul - contanto que você se lembre que o país fala português, não espanhol. As empresas locais são muito receptivas às companhias dos EUA que vêm para o Brasil e trabalham com elas. Uma das maneiras recomendadas para acessar o mercado brasileiro é que uma empresa dos EUA estabeleça uma parceria com uma empresa local. Dessa forma, a empresa local pode ajudar a navegar pela complexidade das regras e regulamentos locais, e aparentemente o governo favorece esse tipo de acordo.

Cuidado com o custo de fazer negócios no Brasil

No entanto, fazer negócios no Brasil exige um conhecimento profundo do ambiente local, incluindo os custos diretos e indiretos de fazer negócios - chamados de “custo Brasil” - relacionados à distribuição, procedimentos governamentais, benefícios a funcionários, leis ambientais e estrutura tributária complexa.

O Comitê Olímpico dos EUA conta uma história sobre o estabelecimento de uma loja da Equipe dos EUA no Rio durante as Olimpíadas. Primeiramente, ele teve de estabelecer uma empresa que, segundo as regras locais, precisava de um presidente brasileiro, então nomearam um advogado de uma firma carioca. Para contratar o pessoal da loja, o Comitê utilizou o patrocínio da Adecco para ajudar a manter uma rígida proporção entre funcionários locais e estrangeiros. Em seguida, houve a necessidade de administrar um sistema de vendas que precisava entregar relatórios ao governo em tempo real para fins tributários, juntamente com os registros da loja e recibos para os clientes. O desafio final, segundo eles, foi levar as mercadorias para Brasil - as remessas regularmente ficavam retidas na alfândega por vários meses. Quando todos esses obstáculos foram superados, os clientes enfrentaram preços mais altos do que pagariam nos EUA.

Além das altas tarifas, as empresas americanas precisam navegar por um sistema legal complexo e por procedimentos alfandegários, observando que o governo do Brasil é o maior comprador de bens e serviços do país.

Lembre-se: o Brasil não é um membro do Acordo de Compras Governamentais da OMC, e “margens de preferência” não são incomuns para empresas domésticas que disputam os contratos governamentais. As empresas americanas podem ter uma desvantagem competitiva se não tiverem uma presença significativa no país, seja por meio de parcerias estabelecidas ou de uma subsidiária.

Vale lembrar também que a reputação do Brasil de ser um país corrupto não é infundada. A “Operação Lava-Jato” descobriu uma complexa teia de corrupção do setor público, fraudes contratuais, lavagem de dinheiro e evasão fiscal decorrente do superfaturamento sistemático dos contratos com o governo. No entanto, o fato de a investigação estar em andamento mostra que o Brasil busca abordar a sua reputação e fazer mudanças para melhorar a posição internacional do país.

As leis trabalhistas podem ser um risco

Entretanto, talvez o maior desafio para as empresas norte-americanas que fazem negócios no Brasil seja a complexidade das leis trabalhistas. Você não pode simplesmente sair contratando pessoas. As leis trabalhistas brasileiras são conhecidas por sua falta de flexibilidade, proteção excessiva dos funcionários, com base no princípio de que eles são o elo mais fraco da relação de emprego, uma carga tributária pesada sobre os salários, e benefícios substanciais a serem pagos, como fundo de garantia, férias remuneradas e décimo terceiro.

O governo federal, com o apoio do presidente Michel Temer, vem trabalhando na reforma trabalhista do Brasil. O governo enfrentou resistência e debates acalorados, mas a reforma entrou em vigor em novembro de 2017. Ela visa reduzir significativamente os custos e encargos trabalhistas, que, em última instância, poderão trazer ganhos econômicos para as empresas e, por sua vez, devem impulsionar significativamente a geração de empregos.

Sucesso para empresas dos EUA que fazem negócios no Brasil

Não deixe que nada disso o assuste. O Brasil apresenta uma enorme oportunidade para as empresas dos EUA que buscam ampliar sua presença internacional, e há empresas norte-americanas atuando com sucesso no país há várias gerações.

A Exxon Mobil é a empresa de petróleo e gás mais antiga atuando continuamente no Brasil, estando em atividade há mais de cem anos. A Chevron também está no país, aproveitando o setor de petróleo e gás em crescimento. O setor automotivo também é um grande vencedor para as empresas dos EUA: tanto a General Motors como a Ford têm participações de mercado estáveis no Brasil.

O grande interesse do Brasil pela tecnologia também foi recompensado com a UB criando um braço de pesquisas em 2010, enquanto a GE também abriu um centro de pesquisas global no Rio em 2014, com foco em P&D. A Apple naturalmente também está presente no país, embora sua entrada no mercado de varejo enfrente duros desafios, sob a forma de altos impostos na maioria dos produtos eletrônicos.

As grandes oportunidades atualmente estão na aviação e defesa, energia, infraestrutura, TI de assistência médica, e dispositivos médicos e serviços. Os brasileiros também têm uma grande afinidade com a tecnologia, e as start-ups de tecnologia podem atrair muito interesse no país.

TMF Group no Brasil

Há um grande potencial para as empresas norte-americanas terem sucesso ao fazer negócios no Brasil, contanto que elas estejam cientes dos desafios e armadilhas. Para assegurar uma entrada bem-sucedida nesse mercado, busque os especialistas locais.

A TMF Group tem o conhecimento local para ajudá-lo a navegar por essas complexidades. Se você deseja estabelecer um novo empreendimento no Brasil, ou apenas agilizar uma parceria entre os EUA e o Brasil, fale conosco. Saiba mais sobre a TMF Group no Brasil.