Por dentro da expansão dos data centers no Brasil: o que os investidores globais precisam saber
O setor de data centers do Brasil está passando por uma expansão transformadora. Com a crescente demanda, regulamentação favorável e uma matriz elétrica baseada em fontes renováveis, o país oferece uma oportunidade estratégica para investidores institucionais. No entanto, é fundamental que os investidores globais adotem a abordagem adequada para obter êxito no longo prazo.
O Brasil está emergindo como líder na corrida por capacidade de data centers na América Latina, impulsionado pela crescente demanda digital, pela adoção de soluções em nuvem e regulamentações de localização de dados, como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais).
Investidores globais, especialmente fundos de infraestrutura e hiperescaladores multinacionais, estão mirando hubs como São Paulo e Rio de Janeiro, enquanto empresas domésticas estão escalando rapidamente para oferecer alcance nacional. Apoiando essa conjuntura está a grande base de usuários de internet do Brasil, a maior da região, combinada com forte consumo digital e crescente demanda por infraestrutura localizada e de baixa latência.
Os investidores veem o setor de data centers brasileiro como uma classe híbrida de ativos com bases sólidas e fluxo de caixa estável, mas com exposição à inovação contínua e à crescente demanda global.
A Piemonte Holding é uma investidora profissional com foco em infraestrutura digital no Brasil e na América Latina. Como destaca seu Investment Director, Victor Almeida: “Investir na infraestrutura digital do Brasil oferece uma rara combinação de fatores: a estabilidade de receita da infraestrutura com o potencial de crescimento do setor de tecnologia”.
Agir no momento certo é tudo
O descompasso global entre a oferta e a demanda de data centers é particularmente acentuado no Brasil. Com a crescente adoção de IA, plataformas em nuvem e automação, a infraestrutura está sob pressão, tornando este momento excepcionalmente atrativo para investimentos estratégicos focados no longo prazo.
Fernando de Angelo, Strategy Director da Piemonte Holding, observa: “Investir agora significa aproveitar o ciclo de expansão de um setor que é a espinha dorsal da transformação digital e energética. Os data centers também são um elo crucial na cadeia de tecnologia sustentável, conectando o crescimento da IA e da economia digital com os avanços em eficiência energética e descarbonização”.
Os grandes incentivos fiscais do Brasil reforçam ainda mais a importância de agir no momento certo. Os governos federal e estaduais introduziram recentemente programas como o Redata – um regime tributário nacional que elimina ou suspende a cobrança de impostos federais sobre equipamentos de data center – e novas linhas de financiamento dedicadas à infraestrutura digital oferecidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Um ecossistema voltado para o crescimento de data centers
O Brasil oferece uma combinação atrativa de vantagens técnicas e econômicas:
- Matriz energética – cerca de 90% da energia do Brasil provém de fontes renováveis, incluindo hidrelétrica, eólica e solar, o que apoia tanto as metas ESG quanto a resiliência operacional.
- Conectividade – ecossistemas de peering de alta qualidade e pontos de ancoragem de cabos submarinos no Brasil garantem conexões internacionais robustas e de baixa latência.
- Proximidade com o cliente – a presença da AWS, Azure e Google Cloud no país favorece contratos âncora e reduz os riscos do investimento em nova capacidade.
- Alinhamento regulatório – o apoio público ao desenvolvimento de IA e de infraestrutura digital está em expansão, com incentivos fiscais, linhas de financiamento e regulamentações simplificadas.
O Brasil também se beneficia da neutralidade política e da crescente soberania digital. “Durante anos, grande parte dos dados gerados por usuários brasileiros era processada nos EUA”, afirma Fernando. “Agora, com o aperfeiçoamento da regulamentação e o investimento local, o país hospedará seus próprios dados internamente”.
“O alinhamento de infraestrutura moderna, estabilidade contratual e energia limpa cria condições ideais para o desenvolvimento de parcerias entre investidores brasileiros e empresas de tecnologia globais”, acrescenta.
Atração estratégica para capital institucional
O mercado brasileiro de data centers é cada vez mais visto como uma oferta de ativos de infraestrutura de longo prazo e com potencial de investimento. As estruturas contratuais tendem a ser de longo prazo e estipuladas em dólares, proporcionando proteção contra a inflação e hedge cambial em um contexto de mercado local.
“O setor de data centers no Brasil é um dos poucos em que se pode obter exposição a receitas em dólares em um ambiente localizado”, afirma Fernando. “Você dispõe de estabilidade e fluxo de caixa previsível, ancorado por contrapartes globais”.
Além do equity, o amadurecimento dos mercados de capitais brasileiros vem desempenhando um papel cada vez mais relevante no financiamento de projetos. A Elea Data Centers, por exemplo, uma empresa do portfólio da Piemonte, emitiu diversos sustainability-linked bonds (SLBs), vinculando os retornos a metas como maior eficiência energética e diversidade de gênero na liderança. Seu SLB mais recente, no valor de R$ 790 milhões, contou com o apoio de grandes bancos nacionais e internacionais e ilustra como o capital doméstico está se consolidando como um importante catalisador do crescimento digital no Brasil.
Atendendo às novas demandas de energia e sustentabilidade
Impulsionadas em grande parte pelo boom da IA, as demandas de energia dos data centers estão aumentando rapidamente. A necessidade de data centers de maior densidade com refrigeração líquida e design energeticamente eficiente é crucial, e o perfil energético do Brasil oferece diversas vantagens nesse sentido.
“O Brasil é o único país do G20 cuja matriz energética é predominantemente renovável”, afirma Fernando. “Isso lhe confere uma vantagem estrutural para a construção de infraestrutura de alta densidade sem aumentar as emissões de carbono”.
“Na Elea, por exemplo, todas as instalações já operam com energia renovável certificada, e as novas infraestruturas são projetadas para minimizar o consumo de água. Isso não é apenas uma boa prática operacional; está alinhado às expectativas dos investidores. Estruturas vinculadas a critérios ESG, como os SLBs, vinculam o desempenho financeiro a resultados ambientais e sociais”, acrescenta. “É um modelo de sustentabilidade de nível de investimento”.
Eficiência de capital e alinhamento com investidores
Embora os data centers exijam alto investimento de capital, os retornos ajustados ao risco permanecem atrativos. Receitas previsíveis, contratos take-or-pay e a qualidade de crédito das contrapartes são diferenciais importantes.
“Nossos contratos com plataformas globais são estruturados para oferecer visibilidade de longo prazo”, afirma Fernando. “Isso transforma um ativo tecnológico em algo com o perfil financeiro semelhante ao da infraestrutura tradicional”.
Novos modelos de financiamento também estão surgindo. Estruturas DevCo/OpCo, que separam o risco de desenvolvimento do fluxo de caixa operacional, estão se consolidando no Brasil. Elas permitem a participação de diferentes perfis de investidores: capital de maior risco na fase de construção e capital institucional quando os ativos se estabilizam.
A estratégia da Elea também reflete disciplina de capital. “Desde o início, a Elea adotou uma estratégia de expansão baseada em aquisições seletivas e eficiência de capital”, acrescenta Fernando. “Isso permitiu que a empresa crescesse rapidamente em todo o país, mantendo o custo por megawatt abaixo dos padrões do setor”.
Complexidades regulatórias e operacionais
Apesar de seus atrativos, o Brasil exige cautela. Os regimes tributários federal, estadual e municipal diferem amplamente e, frequentemente, envolvem condições de desempenho vinculadas à geração de empregos, adoção de fontes de energia renováveis ou fornecimento local. Os investidores devem obter aprovações e acordos de incentivo desde o começo para assegurar a viabilidade financeira dos projetos.
A obtenção de licenças e autorizações ambientais – especialmente em nível estadual – pode adicionar tempo e risco aos cronogramas dos projetos.
O ambiente jurídico e de compliance no Brasil é complexo, mas está em processo de modernização. Veículos de investimento como os FIPs (Fundos de Investimento em Participações) oferecem eficiência tributária para projetos de infraestrutura, mas implicam exigências regulatórias sobre governança, elegibilidade do investidor e divulgações. Comparados a veículos offshore, os FIPs oferecem menor risco tributário, mas exigem maior nível de compliance onshore.
Considerações práticas para novos investidores
Ingressar no mercado brasileiro de infraestrutura digital exige alinhamento estratégico e conhecimento local. Investidores globais devem:
- Combinar um fundo master offshore com um FIP ou SPE local para aproveitar benefícios fiscais
- Garantir compromissos de longo prazo com locatários antes da alocação integral de capital
- Negociar incentivos fiscais em nível estadual e confirmar elegibilidade ao Redata antecipadamente
- Prever contingências para conexão à rede elétrica e processos de licenciamento
- Contratar parceiros locais experientes para gestão de compliance e operações
- Demonstrar geração de valor local por meio de geração de empregos, capacitação profissional e engajamento comunitário
Para investidores que buscam uma combinação de retornos estáveis, crescimento estratégico e impacto no mundo real, o setor de data centers brasileiro se destaca. O desafio é lidar com sua complexidade. Investidores que agirem de forma antecipada, com os parceiros certos e estruturas adequadas, estarão mais bem posicionados para aproveitar as oportunidades do processo de transformação digital do país.
Saiba mais sobre como os serviços de fundos da TMF Group apoiam todo o ciclo de vida dos fundos de investimento, ajudando investidores globais a executar sua estratégia e expandir seus negócios em todas as etapas.
Perfil da empresa: Piemonte Holding
A Piemonte Holding é uma investidora profissional com foco em infraestrutura digital no Brasil e na América Latina. Com um robusto histórico de investimentos de alto desempenho, o grupo desempenha um papel de liderança na promoção da transformação digital da região por meio de soluções sustentáveis e escaláveis – incluindo data centers de grande escala, infraestrutura preparada para inteligência artificial e conectividade de última geração.
