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Publicado
18 julho 2023
Tempo de leitura
4 minutos

ESG: três fatores, mas uma mesma questão

Luz Station, São Paulo

O surgimento dos critérios de ESG como fator impulsionador dos negócios e finanças nos últimos anos gerou novas demandas para empresas, investidores e reguladores. As regulamentações em constante mudança provocam importantes desafios para os financiadores de projetos, como parte de sua rotina de gestão. Frequentemente, a resposta tem sido agregar recursos e competências, desenvolver novas fontes de expertise e criar departamentos que possam atender aos novos requerimentos.

Avançando – com precaução

Não se trata apenas de atender a padrões cada vez mais rigorosos em termos de um exercício de compliance. Há também benefícios comerciais materiais que podem ser proporcionados às empresas que se predispõem a adotar processos de ESG. Eles não se restringem apenas à reputação (o que contribui no processo de recrutamento), mas também às políticas de ESG que regem o mercado e dão uma vantagem aos financiadores do projeto no processo de licitação. Existe um “greenium” constatado ao realizar financiamentos verdes (como Sustainability Linked Bonds (SLBs) e os green bonds). Somado a isso, existe também a performance com menor impacto direto, mas ainda positivamente correlacionada, que é oriunda da adição de liquidez à base de investidores potenciais de uma empresa, uma vez que os portfólios exigidos pelas ESG podem receber investimentos.

No entanto, ainda que as práticas de ESG indubitavelmente tragam novas demandas para todos os tipos de organizações, elas não devem ser geridas por um departamento recentemente criado ou em uma relação vertical independente. Estas regras e regulamentos ambientais e sociais se enquadram no aspecto de governança das práticas de ESG – e isso não é uma novidade para nenhuma organização. Portanto, os financiadores de projetos precisam lidar com as novas demandas de ESG, no entanto, devem gerenciar este processo dentro de uma estrutura existente “tradicional” de risco, custo e compliance.

Quando as práticas de ESG surgiram enquanto um conceito, o “G”, correspondente à governança, era o principal. E com razão – uma vez que desenvolver os padrões de governança corporativa por meio da governança de secretariado, e ao garantir que a diretoria esteja gerenciando a empresa com ética e de acordo com os interesses de seus stakeholders (internos e externos), as bases para a evolução ambiental e social estariam estabelecidas.

Nos últimos anos, muitas pessoas podem ter notado que a parte ambiental das práticas de ESG foi dominante, com ondas subsequentes de novas regras projetadas para aprimorar as métricas e os relatórios sobre emissão de carbono e outros impactos ambientais negativos do comportamento corporativo. Relatórios mais detalhados também foram introduzidos para incrementar a transparência, reduzindo e mitigando o impacto gerado pela emissão de carbono de projetos/empresas. Também houve uma restrição do impacto ambiental mais abrangente dos projetos, como aqueles que são requeridos para licenças e autorizações, principalmente no que diz respeito aos impactos sobre a biodiversidade.

No entanto, este foco nas preocupações ambientais também reflete o fato de que a governança já havia se desenvolvido. Em algumas regiões, como na América Latina, houve, indiscutivelmente, um avanço ainda mais rápido nos aspectos sociais das práticas de ESG nos últimos dois anos. O impacto gerado por um projeto com relação a um grupo indígena, à diversidade de gênero e a melhoria da qualidade de vida de grupos socioeconomicamente vulneráveis, por exemplo, tornou-se uma pauta importante para o setor de financiamento de projetos. A crescente priorização dada às questões sociais como estas são decorrentes das mesmas razões que motivaram as questões ambientais – com projetos que vão além de evitar danos e, em vez disso, são capazes de apontar para os benefícios deles dentro das questões sociais, promovendo a agenda.

Interconexões

Existem muitas semelhanças e sobreposições entre os regulamentos de ESG em desenvolvimento como, por exemplo, uma movimentação em direção à transparência. No entanto, em muitos casos, há um reforço direto em cada um dos fatores “E”, “S” e “G”, ao avaliar o impacto específico de um projeto. Por exemplo, muitos projetos melhoram os aspectos ambientais e sociais simultaneamente – na verdade, eles devem sempre ser abordados juntos nos projetos para otimizar os resultados. Um novo sistema de transporte elétrico que conecta um bairro de baixa renda ao centro da cidade está, ao mesmo tempo, diminuindo as emissões de carbono e a poluição. Simultaneamente, ele também está melhorando a saúde da comunidade local e permitindo que as pessoas se desloquem mais rapidamente para seus empregos, melhorando a produtividade e ajudando a coesão familiar e social. Neste caso, o que é mais importante? O “E” ou o “S”?

Como agentes de documentação e de garantia, a TMF Group ajuda nossos parceiros globais a lidar com toda a carga de trabalho para elaboração de documentação adicional em decorrência das práticas de ESG. Por exemplo, algumas destas tarefas requerem novos relatórios e atualizações regulares (ao gerenciar ou utilizar SLBs, por exemplo, é necessário monitorar quase permanentemente as metas de KPI e seus impactos nos pagamentos de cupons aos credores).

No entanto, nossa abordagem é focada em aprimorar os relatórios existentes e as estruturas de compliance que temos, de modo a integrar todos os novos requerimentos de ESG nestes serviços – como um serviço totalmente compatível com as práticas de ESG, em vez de criar novos fluxos de trabalho voltados para elas. Acreditamos que a melhor maneira de obter sucesso nesta área é entender as interrelações: todos os elementos de ESG estão conectados entre si e a prestação de contas destes projetos vem da transparência proveniente de relatórios de dados precisos e completos, compartilhando o verdadeiro impacto do projeto em questões relacionadas ao meio ambiente, sociais e de governança.

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