Fazendo negócios na Argentina
Como o segundo maior país da América Latina, a Argentina surgiu como um mercado atrativo para investidores globais. No entanto, o histórico do país de inflação elevada, desvalorização cambial e instabilidade política aumenta o risco de fazer negócios localmente. As empresas que desejam expandir suas operações para a Argentina precisam desenvolver uma compreensão aprofundada do cenário econômico e do contexto regulatório do país, que está em constante evolução.
A Argentina, oficialmente República Argentina, é a terceira maior economia da América Latina. O país é uma federação composta por 23 províncias e pela cidade autônoma de Buenos Aires.
Os argentinos desfrutam de uma boa qualidade de vida, o que resulta em uma classificação "muito alta" no Índice de Desenvolvimento Humano. O país busca ativamente manter fortes relações internacionais e é um membro de destaque em diversas associações comerciais internacionais, incluindo o MERCOSUL (Mercado Comum do Sul), o G20 e o Grupo de Cairns.
O país também tira proveito de ricos recursos naturais, uma população com alto nível de alfabetização, um setor agrícola voltado para a exportação e uma base industrial cada vez mais diversificada.
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Embora existam muitas vantagens associadas a fazer negócios na Argentina, há também certos desafios a serem enfrentados. O país ocupa a 9ª posição mundial em termos de complexidade corporativa, segundo o Índice Global de Complexidade Corporativa 2026 da TMF Group.
Diversos fatores econômicos e políticos influenciam as condições de negócios. A Argentina possui um histórico de inflação elevada, desvalorização cambial e instabilidade política, fatores que aumentam o risco de investimento.
Portanto, é fundamental que as empresas que atuam na Argentina dediquem tempo para conhecer profundamente o cenário econômico e o ambiente regulatório em constante evolução.
Vantagens de fazer negócios na Argentina
Há muitas vantagens em fazer negócios na Argentina. Como o segundo maior país da América Latina, a nação emergiu como um mercado atrativo para investidores globais. Trata-se de um mercado complexo, mas repleto de oportunidades para empresas estrangeiras.
Os investidores podem explorar um mercado consumidor local que acaba de atingir 46 milhões de pessoas, bem como o enorme potencial nos setores de lítio, petróleo, mineração, energia renovável, agronegócio e serviços financeiros. Muitas das maiores empresas multinacionais do mundo têm agora uma presença crescente na Argentina, à medida que o país continua expandindo sua variedade de indústrias.
As oportunidades de investimento continuam emergindo em diversos setores e regiões estratégicas. A província de Neuquén tornou-se cada vez mais importante devido ao desenvolvimento contínuo de Vaca Muerta, uma das maiores reservas de petróleo e gás não convencionais do mundo. O projeto continua atraindo investimentos nacionais e internacionais e fortaleceu a posição da Argentina como um mercado de energia fundamental na América Latina.
A atividade recente nos mercados de capitais internacionais também reflete uma melhora na confiança empresarial. Várias empresas argentinas obtiveram sucesso no acesso a financiamento internacional por meio da emissão de títulos corporativos e operações de reestruturação de dívidas, demonstrando um interesse renovado dos investidores em setores específicos da economia.
A Argentina firmou acordos de livre comércio com diversos países e organizações internacionais. Por meio do MERCOSUL, por exemplo, o país tem livre acesso comercial aos seus vizinhos latino-americanos, incluindo Brasil, Paraguai e Uruguai, e se beneficia de tributação reduzida e exigências legais simplificadas.
Espera-se também que o recente acordo comercial entre a UE e o MERCOSUL gere mais oportunidades de investimento, integração comercial e acesso a mercados entre a Argentina e países europeus, aumentando ainda mais a atratividade do país como um hub de negócios regional.
Nos últimos anos, o governo argentino aprovou diversas iniciativas importantes para incentivar o investimento estrangeiro. Entre elas, destacam-se a Agencia Argentina de Inversiones y Comercio Internacional, que oferece assistência gratuita a estrangeiros interessados em fazer negócios no país, e a Sociedad por Acciones Simplificada (SAS), um modelo legal que facilita a abertura de empresas por estrangeiros na Argentina.
Uma dica importante para fazer negócios na Argentina é aproveitar a mão de obra altamente qualificada do país. Embora o idioma oficial seja o espanhol, outras línguas comumente faladas incluem inglês, italiano, francês e português.
A Argentina também oferece uma elevada qualidade de vida em aspectos como educação, meio ambiente e serviços de saúde. Buenos Aires, a capital, ficou em segundo lugar no Mercer’s Quality of Living City Rankings 2024.
Quanto aos melhores locais para fazer negócios na Argentina, Buenos Aires possui uma excelente infraestrutura empresarial e oferece uma grande variedade de oportunidades a empreendedores ambiciosos. Nos últimos anos, a cidade tem recebido investimentos significativos em tecnologia aeroespacial e no setor de energia renovável.
Córdoba, a segunda cidade mais populosa da Argentina, é outro importante hub de negócios e um local de preferência para muitas das startups do país.
Fazendo negócios na Argentina: a cultura
Ao ingressar no mercado, é fundamental que as empresas considerem cuidadosamente o impacto da cultura nos processos corporativos na Argentina.
A cultura empresarial argentina valoriza a confiança, a honra e a familiaridade. O ambiente corporativo baseia-se em relacionamentos; portanto, é importante que os investidores dediquem tempo a desenvolver redes de contatos e cultivar amizades. Flexibilidade e pontualidade também são qualidades muito apreciadas.
As estruturas empresariais tendem a ser hierárquicas, com as decisões sendo tomadas no topo da empresa. Consequentemente, os processos podem, por vezes, avançar lentamente devido à necessidade de várias etapas de aprovação. O objetivo das reuniões é mais trocar ideias e discuti-las em profundidade do que propriamente tomar decisões.
Ao conhecer alguém pela primeira vez, os argentinos apreciarão qualquer esforço para falar espanhol, mas podem sugerir rapidamente a mudança para outro idioma, dada a natureza multilíngue da cultura empresarial do país. É comum realizar jantares de negócios em restaurantes, mas essas refeições servem principalmente para socializar e fortalecer relacionamentos; por isso, é aconselhável evitar discutir detalhes específicos de um negócio, a menos que o seu colega argentino toque no assunto primeiro.
Desafios para fazer negócios na Argentina
Fazer negócios na Argentina pode ser complexo para investidores estrangeiros por diversos motivos. Por exemplo, o processo de constituição de empresas pode ser bastante burocrático e lento, devido à necessidade de múltiplas interações com as autoridades.
A complexidade aumentou nos últimos anos com a escalada das taxas de inflação. Historicamente, a Argentina enfrentou a hiperinflação, mas a atual volatilidade econômica e as pressões sobre o custo de vida no mercado global agravaram ainda mais essa questão.
Embora a inflação continue sendo um fator importante para as empresas que operam na Argentina, o país tem passado por um processo significativo de desinflação em relação aos níveis máximos registrados em 2023. Segundo os dados mais recentes baseados nas estatísticas do INDEC, a inflação anual ficou em 33,6% em maio de 2026, em comparação com 211,4% em 2023.
Como resultado, as empresas precisam ajustar os salários várias vezes ao ano. A atualização da folha de pagamento, dos contratos e de outras documentações dos funcionários pode ser demorada e custosa, afetando a facilidade de fazer negócios no país.
Além disso, nos últimos 20 anos, a Argentina implementou regulamentações cambiais que restringem a transferência de fundos para o exterior. Embora essas normas continuem sendo um ponto de atenção para os investidores, reformas recentes flexibilizaram gradualmente diversas restrições que afetavam tanto transações financeiras quanto comerciais. Tais medidas simplificaram o acesso a moeda estrangeira em certos casos e contribuíram para um ambiente mais previsível para empresas internacionais que atuam na Argentina.
Apesar das complicações decorrentes da inflação, a Argentina está empenhada em alcançar maior autossuficiência em combustíveis e planeja aumentar as exportações em breve. É provável que a demanda global por combustíveis, impulsionada por conflitos geopolíticos, impulsione a economia do país à medida que este assume um papel para suprir essas lacunas.
Impostos e regulamentações
O pagamento de impostos pode ser um processo complexo na Argentina, embora contar com um parceiro local possa ajudar a facilitar esse trâmite. Por exemplo, como a Argentina não possui um acordo de bitributação com os EUA, é importante que os expatriados norte-americanos conheçam e aproveitem ao máximo quaisquer benefícios fiscais aplicáveis à sua situação financeira pessoal.
A alíquota do imposto de renda corporativo (corporate income tax – CIT) é atualmente de 25%. Segundo a Administración Federal de Ingresos Públicos (AFIP), a média foi de 33,5% entre 1997 e 2022, atingindo um pico histórico de 35% em 1999 antes de cair para o mínimo histórico de 25% em 2021. [Ganancias-Escala-PJ-2026.pdf]
A alíquota padrão do IVA é de 21%, mas certas transações estão sujeitas a uma alíquota reduzida de 10,5%, enquanto outras estão sujeitas a uma alíquota majorada de 27%. A alíquota de 27% aplica-se a “serviços de utilidade pública”, como saneamento e energia.
A Argentina adotou as normas IFRS para todas as empresas cujos valores mobiliários são negociados publicamente, exceto para entidades financeiras e de seguros, que devem aplicar normas contábeis emitidas pelos órgãos reguladores.
As regras e regulamentações empresariais na Argentina mudam frequentemente, o que pode gerar complexidade para as empresas que precisam se adaptar constantemente a novas formas de atuação.
Em abril de 2024, o presidente da Argentina, Javier Milei, buscava implementar um projeto de lei de reforma econômica abrangente, conhecido como "Ley Ómnibus", que, entre outras questões, visa privatizar entidades estatais e reduzir proteções ambientais na tentativa de impulsionar a economia.
Desde que assumiu o cargo, a administração do presidente Milei implementou uma série de medidas destinadas a reduzir a complexidade regulatória, promover a atividade do setor privado e incentivar investimentos. Entre as iniciativas mais importantes está o Régimen de Incentivo para Grandes Inversiones (RIGI), que busca atrair investimentos nacionais e estrangeiros de grande porte por meio de uma combinação de incentivos fiscais, alfandegários e cambiais, bem como estabilidade regulatória de longo prazo. O regime é particularmente importante para setores como energia, petróleo e gás, mineração, infraestrutura e manufatura.
A Argentina também introduziu medidas para simplificar o acesso aos seus mercados de capitais. Em junho de 2026, a Comisión Nacional de Valores (CNV) aprovou um pacote de reformas regulatórias destinado a agilizar os processos de aprovação e ampliar os regimes de autorização automática para ofertas públicas, trusts financeiros e fundos de investimento. O objetivo dessas medidas é aumentar a eficiência, reduzir a carga administrativa e facilitar o acesso a financiamento, mantendo, ao mesmo tempo, os padrões de transparência e proteção ao investidor.
O país geralmente adota uma abordagem tradicional de apoio aos trabalhadores; embora isso proteja os empregados de forma positiva, pode gerar dificuldades para as empresas, que precisam cumprir requerimentos rigorosos.
A Argentina também introduziu recentemente reformas na legislação trabalhista com o intuito de modernizar as relações de trabalho e criar um equilíbrio maior entre empregadores e empregados, após décadas de regulamentações que privilegiavam predominantemente a proteção do trabalhador.
RH e folha de pagamento
A Argentina possui uma estrutura regulatória trabalhista robusta, regida pela Ley de Contrato de Trabajo (Lei nº 20.744), que, juntamente com suas alterações posteriores, constitui a principal legislação que regula as relações de trabalho no país.
Para as organizações que operam na Argentina, o compliance regulatório exige a gestão contínua de obrigações trabalhistas, previdenciárias e de folha de pagamento. Reformas trabalhistas recentes destacaram a importância de manter os processos de RH e folha de pagamento atualizados e em compliance com as normas vigentes.
Na TMF Group, ajudamos as organizações a gerenciar com eficiência todo o ciclo de vida do colaborador por meio de soluções completas de RH e folha de pagamento. Oferecemos suporte em processos de onboarding e offboarding, administração de pessoal, processamento de folha de pagamento, compliance com obrigações legais e de reporte regulatório, auxiliando nossos clientes a reduzir riscos operacionais, manter o compliance regulatório e concentrar-se no crescimento de seus negócios.
Constituindo um negócio na Argentina
Os tipos de entidades empresariais mais comuns na Argentina são sociedades anônimas, sociedades de responsabilidade limitada, sociedades por ações simplificadas (SAS) e filiais de entidades estrangeiras.
Empresas estrangeiras que se estabelecem na Argentina devem registrar-se no Registro Público de Comercio e Inspección General de Justicia (IGJ) para participar como acionistas de uma empresa local (artigo 123 da Ley de Sociedades) ou para estabelecer uma filial (artigo 118 da Ley de Sociedades).
A TMF Argentina conta com uma equipe robusta e multilíngue, especializada em lidar com requerimentos locais e globais nas áreas contábil, jurídica, fiscal, de RH e folha de pagamento. Estabelecido em 2005, nosso escritório em Buenos Aires atende empresas de todos os portes que desejam iniciar ou expandir suas operações comerciais na Argentina.
Perguntas frequentes
1. A Argentina é um bom país para fazer negócios?
Sim. Existem diversas vantagens em fazer negócios na Argentina. Como o segundo maior país da América Latina, a Argentina surgiu como um mercado atrativo para investidores globais.
O país possui uma mão de obra altamente qualificada e multilíngue, além de um mercado consumidor de 46 milhões de pessoas. Também apresenta um vasto potencial nos setores de lítio, petróleo, mineração, energia renovável e agronegócio. Muitas das maiores empresas multinacionais do mundo têm, atualmente, uma presença crescente na Argentina.
A Argentina firmou acordos de livre comércio com diversos países e organizações internacionais. Por meio do MERCOSUL, por exemplo, o país tem livre acesso comercial aos seus vizinhos latino-americanos, incluindo Brasil, Paraguai e Uruguai, e se beneficia de tributação reduzida e requerimentos legais simplificados.
2. Como é a etiqueta empresarial na Argentina?
A cultura empresarial argentina valoriza a confiança, a honra e a familiaridade. O ambiente corporativo baseia-se no relacionamento; portanto, é importante dedicar tempo à construção de redes de contatos e ao cultivo de amizades. Flexibilidade e pontualidade também são qualidades muito valorizadas no meio corporativo.
Ao conhecer alguém pela primeira vez, os argentinos apreciam qualquer esforço para falar espanhol, mas podem sugerir rapidamente a mudança para outro idioma, dada a natureza multilíngue da cultura de negócios local. É comum realizar jantares de negócios em restaurantes, mas essas refeições servem principalmente para socializar e fortalecer relacionamentos; assim, deve-se evitar discutir detalhes específicos de negócios, a menos que o colega argentino tome a iniciativa.
3. Qual é a classificação da Argentina em termos de facilidade para fazer negócios?
Embora existam muitos benefícios associados a fazer negócios na Argentina, há também alguns desafios a enfrentar. O país foi classificado como a 9ª jurisdição mais complexa para fazer negócios no Índice Global de Complexidade Corporativa 2026 da TMF Group.
4. Por quais setores de negócios a Argentina é conhecida?
A Argentina é cada vez mais reconhecida pela diversidade de suas indústrias, mas a agricultura é o principal setor produtivo. Graças à sua grande base de recursos naturais, múltiplas zonas climáticas e terras férteis, o país é especialmente conhecido pela produção de soja, trigo, milho, sorgo e pela pecuária.
Nos últimos anos, surgiram mais oportunidades em uma variedade maior de setores, atraindo experts internacionais com habilidades específicas. Esses setores incluem manufatura, telecomunicações, petróleo e gás, indústria automotiva, petroquímica, agroquímicos, indústria farmacêutica e energia renovável.
5. Quais são os desafios empresariais na Argentina?
Fazer negócios na Argentina pode ser complexo para empresas estrangeiras por diversos motivos. Por exemplo, o processo de constituição da empresa pode ser bastante burocrático e lento, devido à necessidade de múltiplas interações com as autoridades.
A complexidade aumentou nos últimos anos em razão das taxas de inflação muito elevadas no país. Historicamente, a Argentina já enfrentou a hiperinflação, mas a atual volatilidade econômica e as pressões sobre o custo de vida no mercado global agravaram ainda mais essa questão.
6. A Argentina possui barreiras comerciais?
De modo geral, a Argentina restringe ou proíbe a importação de produtos remanufaturados, como peças automotivas, equipamentos médicos e produtos de tecnologia da informação e comunicação remanufaturados.
O país também limita os pontos de entrada para diversos tipos de mercadorias, incluindo produtos sensíveis especificados em 20 capítulos da nomenclatura tarifária harmonizada, por meio de procedimentos alfandegários especializados.
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