Fazendo negócios no México
O México tornou-se um dos países mais competitivos para investimentos internacionais, impulsionado pelo tamanho e força do seu mercado consumidor, padrões de inflação previsíveis e localização geográfica estratégica.
No entanto, também é uma jurisdição altamente complexa para fazer negócios. O sucesso depende da capacidade de superar desafios regulatórios, operacionais e culturais.
O México, oficialmente Estados Unidos Mexicanos, é o 11º país mais populoso do mundo e ocupa a 13ª posição global em termos de produto interno bruto (PIB) nominal. É a segunda maior economia da América Latina e continua crescendo a um ritmo expressivo. Como uma das economias mais dinâmicas do mundo, prevê-se que o México se torne a sétima maior potência econômica global até 2050.
O país também está bem integrado à economia global por meio de sua participação em importantes organizações internacionais e acordos comerciais, incluindo o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica (CPTPP), o Acordo de Livre Comércio entre o México e a União Europeia (ALC-UE-México) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
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Embora o México seja um mercado dinâmico, em 2026, o país foi classificado como a segunda jurisdição mais complexa do mundo, de acordo com o Índice Global de Complexidade Corporativa (GBCI) da TMF Group. O México subiu da terceira posição em 2025, reforçando sua posição entre os contextos mais desafiadores do mundo para empresas estrangeiras.
Essa alta classificação reflete a volatilidade regulatória contínua, as frequentes mudanças administrativas e as exigências persistentes de presença física, que continuam gerando incerteza e dificuldades operacionais para empresas internacionais que atuam no mercado.
Desta forma, as empresas que fazem negócios no México devem garantir que conheçam profundamente o contexto econômico local, suas regras e disposições e dos costumes comerciais específicos do país.
Oportunidades e vantagens de fazer negócios no México
O México tornou-se um dos países mais competitivos para investimentos em nível internacional, graças a fatores como o tamanho e a força de seu mercado consumidor, padrões de inflação previsíveis e localização geográfica estratégica.
Uma das principais vantagens de fazer negócios no México são os incentivos fiscais. Eles incluem deduções que variam de 56% a 89% em investimentos em ativos fixos e deduções adicionais para despesas com treinamento de mão de obra em 10 setores-chave. Há também isenções fiscais associadas a 11 atividades econômicas realizadas na região do Istmo de Tehuantepec, permitindo que até 100% do valor original do capital investido seja descontado no mesmo ano fiscal, quando o ativo e a atividade se qualificam de acordo com o decreto do Plan México.
Graças à sua proximidade com os EUA, grande capacidade produtiva, mão de obra qualificada, eficiência econômica, resiliência da cadeia de abastecimento e acordos comerciais abrangentes, o México agora lidera o movimento de novos investimentos em nearshoring, definido como a prática de estabelecer ou realocar operações terceirizadas para mais perto dos mercados domésticos.
Apesar das vantagens oferecidas, existem algumas complexidades a serem consideradas ao transferir suas operações terceirizadas para o México. Para destacar os riscos potenciais, leia nosso artigo sobre o que empresas estrangeiras precisam saber sobre o renascimento do nearshoring do México.
O México possui diversas cidades favoráveis aos negócios que atraem investidores. A Cidade do México tem uma infraestrutura robusta e um pool de talentos qualificados, além de abrigar o maior número de startups no país, seguida por Monterrey.
A estratégia de infraestrutura do México está cada vez mais alinhada ao Plan México, uma agenda de desenvolvimento de longo prazo anunciada pelo governo da presidente Claudia Sheinbaum. O plano prioriza investimentos em larga escala nas áreas de transporte e logística – particularmente ferrovias, rodovias, portos e aeroportos – visando melhorar a conectividade regional e apoiar o comércio e o nearshoring. Paralelamente, o Plan México destaca a energia, a água e a infraestrutura industrial como fatores-chave para o crescimento econômico e o desenvolvimento social.
Mais da metade do investimento planejado está sendo direcionada para o setor de energia, incluindo geração e transmissão de eletricidade, enquanto recursos adicionais impulsionarão os sistemas de água e a infraestrutura sustentável. Essas iniciativas visam garantir serviços confiáveis para a indústria e as cidades, atrair investimentos privados e posicionar o México como um hub competitivo de manufatura e logística.
Cultura empresarial no México
A etiqueta profissional no México é semelhante à de muitos outros países da América Latina, embora a proximidade do país com os EUA e os fortes laços comerciais entre as duas nações também tenham influenciado a cultura empresarial.
Relacionamentos pessoais duradouros e lealdade são características essenciais da cultura de trabalho. Embora o ambiente empresarial ainda seja formal, está mudando gradualmente e a estrutura tradicionalmente hierárquica está se tornando mais horizontal.
Os mexicanos preferem a comunicação presencial e gostam de fazer negócios com pessoas que conhecem bem e em quem confiam. É uma boa prática demonstrar interesse e é recomendável confirmar a data e o horário do encontro várias vezes antes de qualquer reunião para demonstrar um nível adequado de diligência.
Desafios para fazer negócios no México
Ainda existem muitos obstáculos a serem superados ao fazer negócios no México. O conhecimento local do ambiente de investimento e informações detalhadas sobre os marcos legais, contábeis e fiscais são, portanto, cruciais para empreendimentos estrangeiros e podem ajudar a contornar muitos dos riscos.
Um desafio comum é a solicitação de conexão com a rede elétrica. De acordo com o Banco Mundial, o México ocupa a 106ª posição no ranking mundial de facilidade de acesso à eletricidade, o que evidencia a complexidade desta tarefa. O processo continua repleto de burocracia e as empresas estrangeiras precisam realizar solicitações e obter certificados e inspeções da Comisión Federal de Electricidad (CFE) antes que um contratado possa realizar qualquer tipo de trabalho.
O registro de imóveis também pode ser uma tarefa demorada, levando quase o dobro do tempo médio em comparação com os países da OCDE. Lidar com o Registro Público de la Propiedad y de Comercio pode ser particularmente demorado. Além disso, a obtenção de uma certidão negativa de débitos junto à companhia de água e o certificado de zoneamento do imóvel também podem levar muito tempo.
Embora esses procedimentos possam ser demorados, alguns estão se tornando mais digitais. O que significa que eles podem ser acompanhados eletronicamente, em vez de exigirem contato presencial.
Cenário contábil e fiscal no México
Pagar impostos no México é um processo trabalhoso e complexo, com estimativas sugerindo que essa atividade consome mais de 240 horas do tempo de uma empresa anualmente, apesar de geralmente haver apenas seis tipos de pagamentos a serem feitos.
Para empresas que planejam abrir um negócio no México, é essencial implementar um sistema contábil que esteja em compliance com os requerimentos de contabilidade eletrônica estabelecidos pela autoridade fiscal mexicana. Os sistemas contábeis devem ser configurados de modo a gerar informações contábeis no formato estabelecido pelo Servicio de Administración Tributaria (SAT) e é importante enviar essas informações quando solicitado. Essa obrigação se aplica à maioria dos contribuintes no México.
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Desde a constituição até a dissolução, o SAT exige que todas as transações – sejam internas, com partes relacionadas ou com terceiros – sejam registradas com precisão no sistema de contabilidade eletrônico. Essa exigência está em vigor desde 2014 e deve ser devidamente abordada para garantir a rastreabilidade completa das transações, do fluxo de caixa e dos beneficiários finais.
De acordo com a legislação tributária mexicana, tanto fornecedores quanto clientes são obrigados a emitir notas fiscais digitais (comprobante fiscal digital por internet – CFDI) para permitir o monitoramento e a rastreabilidade eficazes das transações do contribuinte.
O México adotou as Normas Internacionais de Relatório Financeiro (International Financial Reporting Standard – IFRS), que se aplicam a entidades listadas, exceto instituições financeiras e seguradoras. No entanto, empresas estrangeiras que ingressam no mercado mexicano devem analisar cuidadosamente os requerimentos regulatórios e de reporte locais, pois eles podem variar significativamente entre os setores da indústria.
RH e folha de pagamento no México
Outro fator importante que impulsiona a complexidade corporativa no México é a natureza altamente protecionista da legislação trabalhista mexicana, que se baseia em direitos constitucionais garantidos aos trabalhadores. Esses direitos incluem o acesso a trabalho, limites de jornada e benefícios legais, com o salário-mínimo tendo aumentado em aproximadamente 70% nos últimos cinco anos.
Existem quatro principais marcos legais que regem as questões de RH e folha de pagamento no México: a Ley Federal del Trabajo, as normas do imposto de renda aplicáveis aos salários, as obrigações previdenciárias e as exigências fiscais locais sobre a folha de pagamento em nível estadual. Juntos, esses marcos regulamentam os contratos de trabalho e abrangem áreas como salários, jornada de trabalho, feriados, férias remuneradas, sindicatos, greves, indenização por rescisão contratual, contribuições previdenciárias e obrigações tributárias federais e locais correlatas.
Após a implementação do USMCA, o México introduziu reformas trabalhistas significativas. Elas incluem mudanças relacionadas à democracia trabalhista, igualdade de gênero e fortalecimento dos direitos dos trabalhadores. A terceirização de pessoal das atividades-fim está proibida desde 2021, exigindo que as empresas reavaliem seus modelos operacionais e garantam o compliance com o arcabouço jurídico revisado.
No México, os ciclos de pagamento são geralmente quinzenais, com os funcionários recebendo nos dias 15 e no último dia de cada mês, embora o pagamento semanal ainda seja comum para trabalhadores operacionais.
Os benefícios obrigatórios para os funcionários incluem férias remuneradas (12 dias durante o primeiro ano), um bônus de férias equivalente a pelo menos 25% do salário durante o período de férias, participação nos lucros equivalente a 10% dos lucros tributáveis, um bônus por tempo de serviço na rescisão do contrato e um bônus de fim de ano (aguinaldo) equivalente a, no mínimo, 15 dias de salário. Propostas para aumentar o aguinaldo para 30 dias estão atualmente em discussão, mas ainda não foram promulgadas.
O México também aplica regras diferenciadas de folha de pagamento e salários em sua Zona Franca da Fronteira Norte. A partir de janeiro de 2026, o salário-mínimo diário nessa zona aumentou para MX$ 440,87, enquanto o salário-mínimo diário no restante do país subiu para MX$ 315,04.
Regulamentação e leis no México
A regulamentação e as leis no México podem ser complexas e passíveis de diferentes interpretações, aumentando os riscos de não compliance para empresas estrangeiras.
Nos últimos anos, foram introduzidos requerimentos regulatórios adicionais, incluindo a obrigação de declarar o Beneficiário Final (Ultimate Beneficial Owner – UBO). Quando esses requerimentos foram implementados inicialmente, havia pouca clareza em relação à documentação necessária para a constituição de empresas, o que levou os tabeliães a adotarem uma abordagem mais cautelosa devido às significativas penalidades que enfrentam em caso de não compliance. Como resultado, os processos de constituição de empresas podem ser mais demorados.
A legislação trabalhista também está passando por uma reforma significativa. Um projeto de lei aprovado em 2026 estabelece uma redução gradual da jornada de trabalho padrão, diminuindo duas horas por ano, de 48 horas para 40 horas até 2030. Se implementada, essa reforma aumentaria significativamente os custos dos empregadores devido à necessidade de contratação de pessoal adicional, pagamento de horas extras e remuneração por dias de descanso trabalhados. Como resultado, as mudanças propostas geraram intenso debate na comunidade empresarial.
Como mencionado anteriormente, visto que a terceirização não é mais permitida, quaisquer serviços que envolvam funcionários nas instalações do cliente devem cumprir condições rigorosas e não podem fazer parte da atividade-fim da empresa.
A posição do governo mexicano em relação às fontes de energia renovável também gerou controvérsia. As políticas têm favorecido cada vez mais a geração de energia estatal e baseada em combustíveis fósseis, limitando a participação estrangeira em projetos de energias renováveis. Embora essa abordagem apoie o emprego nos setores energéticos tradicionais, ela tem gerado preocupações entre os investidores devido ao seu impacto ambiental e às implicações para a sustentabilidade a longo prazo.
Constituindo um negócio no México
O processo de constituição de uma empresa no México pode ser complexo e demorado, principalmente devido ao tempo necessário para a identificação do Controlador Beneficiário e para a abertura de uma conta bancária, que deve ser autorizada pela SAT. As empresas também devem considerar que é obrigatório o pagamento de impostos por meio do sistema eletrônico.
No entanto, se você estiver plenamente ciente das regulamentações e políticas locais e planejar levando-as em consideração, constituir – ou expandir – uma empresa no México pode ser consideravelmente mais simples. Fazer negócios no México exige um conhecimento detalhado sobre o sistema econômico do país, portanto, trabalhar com um parceiro que possua conhecimento local pode ajudar a tornar a expansão mais fluida.
Solicite nosso guia detalhado para saber mais sobre como fazer negócios no México.
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